quarta-feira, 19 de março de 2014

Os Maias - Realismo na Literatura, na pintura e na música

Na literatura:
Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retratar o homem e a sociedade em sua totalidade. Não bastava mostrar a face sonhadora ou idealizada da vida, como fizeram os românticos; desejaram mostrar a face nunca antes revelada: a do cotidiano massacrante, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo humano, da impotência do homem comum diante dos poderosos.

Uma característica do romance realista é o seu poder de crítica, adotando uma objetividade que faltou ao romantismo. Grandes escritores realistas descrevem o que está errado de forma natural, ou por meio de histórias como Machado de Assis. Se um autor desejasse criticar a postura de alguma entidade, não escreveria um soneto para tanto, porém escreveria histórias que envolvessem-na de forma a inserir nessas histórias o que eles julgam ser a entidade e como as pessoas reagem a ela.

Em lugar do egocentrismo romântico, verifica-se um enorme interesse de descrever, analisar e até em criticar a realidade. A visão subjetiva e parcial da realidade é substituída pela visão objetiva, sem distorções. Dessa forma os realistas procuram apontar falhas talvez como modo de estimular a mudança das instituições e dos comportamentos humanos. Em lugar de heróis, surgem pessoas comuns, cheias de problemas e limitações. Na Europa, o realismo teve início com a publicação do romance realista Madame Bovary (1857) de Gustave Flaubert.



Na pintura:
O historiador Seymour Slive cita que quando se discute o realismo em relação aos pintores de paisagem é importante especificar que esses artistas quase nunca pintavam seus quadros em exteriores. A prática de fazer pinturas ao ar livre só se tornou comum no século XIX. Em épocas anteriores as pinturas de paisagem eram quase sempre compostas nos ateliers. Principais pintores realistas:
  • Édouard Manet 
  • Gustave Courbet 
  • Honoré Daumier 
  • Jean-Baptiste Camille Corot 
  • Jean-François Millet 
  • Théodore Rousseau 





terça-feira, 18 de março de 2014

Os Maias - Espaço físico, Narrador, Tempo e Intriga

Espaço Físico:
São variados os espaços geográficos e, estão relacionados com o percurso da personagem principal. Assim os espaços privilegiados são Sta Olávia (infância e educação de Carlos), Coimbra (seus estudos, e primeiras aventuras amorosas) e Lisboa, onde irá desenrolar-se toda a acção após a sua formatura e regresso da sua “longa viagem pela Europa”. Sintra e Olivais são espaços também muito referidos, mas onde não se passa qualquer acção de relevo no romance. Os espaços interiores são descritos exatamente de acordo com as personagens. Os espaços interiores mais destacados são O Ramalhete, o quarto da Toca, a Vila Balzac e o consultório de Carlos.

Narrador:
Tipo de narrador (presença): Heterodiegético
De acordo com as características do Realismo/Naturalismo, pois permite uma análise social muito mais objectiva e eficaz, pelo distanciamento que caracteriza este tipo de narrador.


Marcas linguísticas:
  • Formas verbais na terceira pessoa
  • Pronomes e determinantes na terceira pessoa
  • Discurso indireto livre  


Tempo:
Entende-se por tempo histórico aquele que se desdobra em dias, meses e anos vividos pelas personagens, reflectido até acontecimentos cronológicos históricos do país.
Nos "Os Maias", o tempo histórico é dominado pelo encadeamento de três gerações de uma família, cujo último membro (Carlos), se destaca relativamente aos outros.
A fronteira cronológica situa-se entre 1820 e 1887, aproximadamente.
Assim, o tempo concreto da intriga compreende cerca de 70 anos.


Intriga:
Eça serve-se da história de uma família para narrar as desventuras de uma sociedade. Assim, o romance acompanha dois níveis de acções distintos, um decorrente do título “Os Maias” , tem por personagem central Carlos e se subdivide numa intriga principal e numa intriga secundária, outro decorrente do subtítulo “Episódios da vida romântica” foca a descrição de eventos recreativos da sociedade portuguesa da Regeneração, constituindo a crónica da costumes.

O nível de acção decorrente do título dá-nos a conhecer a história da família Maia ao longo das gerações de Caetano, Afonso, Pedro e Carlos da Maia. A intriga principal é constituída pelo romance entre Carlos e Maria Eduarda; a intriga secundária dos amores de Pedro e Maria Monforte é necessária para construir a intriga central. A acção das intrigas é fechada porque não há possibilidade de continuação: Pedro suicida-se, Maria Monforte já morreu, Maria Eduarda e Carlos suicidam-se psicologicamente perdendo a capacidade de amar, e Afonso morre. A temática do incesto desencadeia toda a intriga. 

A crónica de costumes engloba os ambiente sociais, os figurantes e seus comportamentos, bem como as relações do protagonista Carlos, quer com o ambiente, quer com as personagens, pelo que os episódios são acções ainda que com duração limitada, é uma acção aberta porque cada episódio pode continuar. É fundamentalmente ao nível da intriga principal que surge a crónica de costumes, pelo que ambas se desenvolvem em paralelo.



Os Maias - Questão Coimbrã

A Questão Coimbrã foi um dos primeiros sinais da renovação literária e Ideológica ocorrida no séc. XIX entre o novo espírito científico europeu e o velho sentimentalismo dos ultra-românticos.
Foi protagonizada por António Feliciano de Castilho, primeiro visconde de Castilho e escritor romântico português do século XIX e por vários estudantes universitários de Coimbra entre os quais: Antero de Quental, Teófilo Braga e Vieira de Castro.
A este conjunto de jovens intelectuais escritores que se afirmaram no século XIX, implantando em Portugal novos modelos literários e novas ideias vindas da Europa, deu-se o nome de Geração de 70. Estes Jovens pertencentes à Geração de 70 revoltaram-se contra o atraso cultural do país.




Fonte: http://salaestudo.wordpress.com/2010/03/07/questo-coimbr/

O narrador e os tipos de focalização
Caracterização das personagens

quarta-feira, 12 de março de 2014

Os Maias - Eça de Queirós (BIOGRAFIA E BIBLIOGRAFIA)

José Maria de Eça de Queirós nasceu em Novembro de 1845, numa casa da praça do Almada na Póvoa de Varzim, no centro da 
cidade; foi baptizado na Igreja Matriz de Vila do Conde. Filho de José Maria Teixeira de Queirós, nascido no Rio de Janeiro em 1820, e de Carolina Augusta Pereira d'Eça, nascida em Monção em 1826.
Em meados de 1865 frequenta e conclui o curso e muda-se para Lisboa onde exerce advocacia e jornalismo. Muda-se e vive em Inglaterra onde exerce o cargo de cônsul em Newcastle e Bristol.
Finalmente em 1887 publica o romance que estamos a estudar, "os maias". Em meados de 1895 passa a viver em Paris, onde vem a falecer em 1900.



Cronologia mais detalhada:
  • 1845 Nasce José Maria de Eça de Queiroz, na Póvoa de Varzim. Filho natural do magistrado José Maria de Almeida Teixeira de Queiroz e D. Carolina Augusta Pereira de Eça, é registado como filho de mãe incógnita. Baptizado em Vila do Conde, viverá até 1855 em Verdemilho, em casa dos avós paternos, apesar de o casamento dos seus pais se ter realizado quatro anos depois do seu nascimento.

  • 1855 É matriculado no Colégio da Lapa, na cidade do Porto, dirigido pelo pai de Ramalho Ortigão. Aí fará a escolaridade obrigatória até ao seu ingresso na Universidade.

  • 1861 Matricula-se no primeiro ano da Faculdade de Direito de Coimbra, onde conheceu Teófilo Braga e Antero de Quental, entre outros.

  • 1866 Envia ao Teatro D. Maria I a tradução de uma peça de José Bouchardy, intitulada Filidor.- Forma-se em Direito e instala-se em Lisboa, em casa dos pais, no Rossio, 26, 4º andar, inscrevendo-se como advogado no Supremo Tribunal de Justiça.

  • 1990 Inicia a publicação de folhetins no jornal Gazeta de Portugal num total de dez artigos que serão reunidos no volume Prosas Bárbaras.

Conhece Jaime Batalha Reis na Redacção da Gazeta de Portugal.

Parte para Évora no final do ano, onde irá fundar e dirigir o jornal da oposição Distrito de Évora.

  • 1867 Inicia a sua actividade como advogado.

Em Julho deixa a direcção do Distrito de Évora, regressa a Lisboa e retoma a sua colaboração na Gazeta de Portugal de Outubro a Dezembro.

No final do ano forma-se o «Cenáculo», contando-se Eça de Queiroz entre os primeiros membros; do «Cenáculo» farão parte Antero de Quental, Salomão Saragga, Jaime Batalha Reis, Augusto Fuschini, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, José Fontana, entre outros.

  • 1869 São publicados no jornal Revolução de Setembro os primeiros versos de Carlos Fradique Mendes, "poeta satânico", criação conjunta de Eça, Antero e Batalha Reis,.

Viagem pela Palestina, Síria e Egipto, onde assiste à inauguração do Canal de Suez em companhia de Luís de Castro, conde de Resende.

  • 1870 Regressado a Lisboa, publica no Diário de Notícias os relatos da viagem ao Médio-oriente com o título «De Port-Said a Suez».

Publicação no mesmo jornal de O Mistério da Estrada de Sintra, em colaboração com Ramalho Ortigão (de Julho a Setembro).

É nomeado Administrador do Concelho de Leiria.

Em Setembro presta provas para cônsul de 1ª classe no Ministério dos Negócios Estrangeiros, ficando classificado em primeiro lugar.

  • 1871 É publicado o primeiro número d'As Farpas dirigido por Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.

Realizam-se as Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, não se tendo cumprido a totalidade do programa previsto devido à proibição governamental ter impedido a sua continuação. Eça profere a quarta conferência intitulada «A Nova Literatura ou O Realismo como Expressão de Arte».

  • 1872 É nomeado cônsul de 1ª classe nas Antilhas espanholas. No final do ano será empossado no seu cargo em Havana, aí permanecendo durante dois anos.

  • 1873 Viagem pelo Canadá, Estados Unidos e América Central.

  • 1874 Publicação do conto«Singularidades de Uma Rapariga Loura» noBrinde aos senhores assinantes do "Diário de Notícias" para 1873.

Transferência para o consulado de Newcastle-upon-Tyne.

  • 1875 Publicação na Revista Ocidental, dirigida por Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, da primeira versão de O Crime do Padre Amaro.

Conclusão da escrita de O Primo Basilio em Newcastle.

  • 1877 Publicação no jornal portuense A Actualidade das crónicas «Cartas de Inglaterra», mantendo-se a colaboração até 1878.

Inícia a escrita de A Capital!, publicada vinte e cinco anos após a sua morte.

  • 1878 Contactos com o editor Chardron apresentando Cenas da Vida Portuguesa, projecto para 12 volumes de novelas.- Publicação de O Primo Basílio (1.' e 2.' ed.) - Transferência para o consulado de Bristol.

Inicia a sua colaboração com um jornal do Rio de Janeiro, a Gazeta de Notícias, que só terminará em 1897.

  • 1879 Escrita de O conde de Abranhos e de A Catástrofe, publicados em 1925

  • 1880 Segunda edição em livro de O Crime do Padre Amaro.

Publicação da novela O Mandarim em folhentins do Diário de Portugal.

Publicação dos contos «Um Poeta Lírico» e «No Moinho», em O Atlântico.

  • 1883 É eleito sócio correspondente da Academia Real das Ciências.

Reescreve O Mistério da Estrada de Sintra.

  • 1884 Visita a Costa Nova na companhia da condessa de Resende e das suas filhas Emília e Benedita.

Publicação na Revue universelle internationale da tradução francesa deO Mandarim, com um prefácio de Eça, escrito em francês.

Segunda edição de O Mistério da Estrada de Sintra.

  • 1885 Visita Zola em Paris.

A sua legitimação é tornada oficial pelos pais.

  • 1886 Casamento com Emília de Castro Pamplona (Resende), no oratório particular da Quinta de Santo Ovídio no Porto.

Prefacia os livros Azulejos do conde de Arnoso e O Brasileiro Soares de Luís de Magalhães.

  • 1887 Concorre com A Relíquia ao Prémio D. Luís da Academia Real das Ciências, perdendo a favor de Henrique Lopes de Mendonça com a obra O Duque de Viseu.

Publicação de A Relíquia.

Data provável de escrita de Alves & C.ª.

  • 1888 Nomeado cônsul em Paris.

Polémica com Pinheiro Chagas a propósito da atribuição do Prémio D. Luís.

Publicação de Os Maias.

Publicação no jornal portuense O Repórter, dirigido por Oliveira Martins, de algumas «Cartas de Fradique Mendes».

Forma-se em Lisboa o grupo d'Os Vencidos da Vida.

  • 1889 Prefacia o livro de poemas Aguarelas de João Dinis.

Sai o primeiro número da Revista de Portugal, de que é director.

  • 1990 Publicação do primeiro volume de Uma Campanha Alegre, reunindo a colaboração de Eça n'As Farpas.


  • 1891 Traduz As Minas de Salomão, de Henry Rider Haggard.

  • 1892 Publicação do conto «Civilização», na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro.

  • 1893 Publica na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro a Crónica «Tema para Versos», que inclui o conto «A Aia».

  • 1894 Inicia a escrita de A Ilustre Casa de Ramires.

Publicação de «As histórias: O Tesouro» e «As histórias: frei Genebro», na Gazeta de Notícias.

  • 1895 Organiza, em colaboração com José Sarmento e Henrique Marques, o Almanaque Enciclopédico para 1896 .

Publicação de «O Defunto» na Gazeta de Notícias.

  • 1896 Organiza, com os mesmos colaboradores, o Almanaque Enciclopédico para 1897.

Publicação de Antero de Quental - In Memoriam em que Eça colabora com o texto «Um génio que era um santo».

  • 1897 Começa a publicação em Paris da Revista Moderna. Nos dois primeiros números publica os contos «A Perfeição» e «José Matias».

A Ilustre Casa de Ramires começa a ser publicado na mesma Revista, no número de Novembro, dedicado a Eça de Queiroz.

  • 1898 Publicação na Revista Moderna do conto «O Suave Milagre».

  • 1899 Prepara, em simultâneo, a publicação de três romances: A correspondência de Fradique Mendes, A Cidade e as Serras e A Ilustre Casa de Ramires.

  • 1900 Morte após prolongada doença a 16 de Agosto, em Neully. Em Setembro, o corpo é trasladado para Portugal, realizando-se os funerais para o cemitério do Alto de S. João em Lisboa.

Publicação, em volume, já depois da sua morte, de A Correspondência de Fradique Mendes e A Ilustre Casa de Ramires.









Os Maias - Textos narrativos / descritivos

Texto narrativo > Contar, relatar

Características:


  • PERSONAGENS (figuras humanas fictícias criadas por um autor)


  • AÇÃO (sucessão de acontecimentos: situação inicial, complicação, clímax, desfecho)


  • PROGRESSÃO TEMPORAL (há anterioridade e posterioridade)


  • LUGAR (situação, contexto em que ocorrem as ações)


Texto descritivo > Caracterizar, adjetivar

Características:


  • Não há personagens


  • Não há progressão temporal 


  • Não há ação; predominam os VERBOS DE ESTADO (no presente ou no imperfeito do indicativo)


  •  Predomina a presença de ADJETIVOS e ADVÉRBIOS DE MODO

Os Maias

Os Maias é uma das obras mais conhecidas do escritor português Eça de Queiroz que foi publicada no Porto em 1888.
A obra retrata a história de uma família (Maia) ao longo de três gerações, centrando-se depois na última com a história de amor incestuoso entre Carlos da Maia e Maria Eduarda.


O titulo "Os Maias" deve-se ao facto da obra retratar a história de três gerações da família Maia, o subtitulo denomina-se por "Episódios da Vida Romântica" pois o narrador faz uma critica a vários aspectos da sociedade portuguesa.



Obra "Os Maias"

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Pressuposição

(pre- + suposição)
substantivo feminino
.Ato ou efeito de pressupor. = .CONJECTURAPRESSUPOSTO

Tipos de pressuposição:


Existem várias expressões ou itens lexicais ou mesmo estruturas que são 
desencadeadores de pressuposição. Veremos aqui alguns tipos, mas vale lembrar que 
não é necessário memorizar esses desencadeadores, para sabermos se há a relação de 
pressuposição entre as sentenças ou enunciados; basta aplicarmos a definição, 
que podemos prever, sem erro, se existe tal relação. Mas vejamos alguns tipos de 
desencadeadores de pressuposição já bem investigados pelos linguistas.